Branca de Neve arrecada 87 milhões nas bilheterias e preocupa Disney

Branca de Neve estreou com números abaixo das expectativas da indústria e deverá ter dificuldades para recuperar seu orçamento de US$ 250 milhões.

Branca de Neve arrecada US$ 87 milhões nas bilheterias e preocupa Disney

A carreira do novo live-action da Disney Branca de Neve iniciou de maneira decepcionante nas bilheterias.

O longa arrecadou US$ 43 milhões nos EUA e US$ 44,3 milhões nos mercados internacionais, resultando em US$ 87,3 milhões na bilheteria global. É um início fraco considerando seu enorme orçamento de US$ 250 milhões.

A indústria do cinema e a Disney estavam esperando uma abertura em torno dos US$ 100 milhões ao redor do globo. Desse total, US$ 50 milhões viriam dos EUA. Mas para que isso ocorresse, tudo dependeria de se o filme conseguisse gerar boca a boca positivo entre quem não tinha interesse prévio no longa.

Mas não foi o que ocorreu. Com um B+ da audiência no CinemaScore e 74% no consolidado do público do Rotten Tomatoes (entre a crítica são medíocres 43%), quem compareceu ao cinema na estreia não achou o longa muito melhor que os críticos.

Ou seja, se nem quem já tinha interesse prévio no filme a ponto de comprar um ingresso para a estreia o achou grande coisa, então ele terá dificuldade em atrair outros às salas.

Por outro lado, o longa terá duas semanas para si como o maior filme para a família em cartaz antes da chegada de Um Filme Minecraft. Talvez a falta de concorrentes muito fortes acabe beneficiando Branca de Neve. Algo parecido ocorreu com Capitão América: Admirável Mundo Novo.

Branca de Neve e os limites dos live-actions Disney

A abertura do musical estrelado por Rachel Zegler e Gal Gadot não ficou muito distinta da do fiasco Dumbo. Tal longa estreou em março de 2019 com US$ 46 milhões nos EUA (US$ 57 milhões ajustados pela inflação) e US$ 119 milhões global. Saiu de cartaz com US$ 114,7 milhões nos EUA e US$ 352 milhões na bilheteria global.

Na época, Dumbo não causou muito dano pois a Disney estava em meio ao melhor ano de sua história, repleto de sucessos bilionários como Capitã Marvel, Vingadores: Ultimato, Aladdin, Toy Story 4 e O Rei Leão.

No entanto, as performances similares de Branca de Neve e Dumbo expõem uma fragilidade desses live-actions da Disney: se forem baseados em animações antigas, não vão arrecadar tanto quanto os remakes de filmes mais novos.

Claro, quando as reimaginações da Disney iniciaram sua fase moderna com Alice no País das Maravilhas em 2010, a situação era bem diferente. A Alice animada da Disney havia sido lançado cinco décadas antes, então provavelmente muitos dos que foram aos cinemas em 2010 não estavam nem vivos quando o desenho foi exibido no cinema pela(s) primeira(s) vez(es).

Entretanto, o longa não se baseava somente em nostalgia pela animação. Era uma versão com alto orçamento, efeitos especiais (supostamente) de ponta, um diretor renomado em Tim Burton e elenco estrelado.

Mas mais do que isso: transformar os clássicos da Disney em blockbusters era uma novidade em 2010, algo ainda incomum na Hollywood da época. Como resultado, uma bilheteria de mais de US$ 1 bilhão global.

Nos anos seguintes, esse tipo de versão atualizada das animações se tornou algo comum, corriqueiro. Quase todo ano temos vários filmes do tipo.

Tudo mudou com A Bela e a Fera

Além disso, Branca de Neve chegou cerca de oito anos tarde demais. Explicando melhor: até 2017, as animações transformadas em live-action eram mais antigas. Longas como o próprio Alice, Malévola (um remake de A Bela Adormecida) e Mogli: O Menino Lobo eram versões atualizadas de animações lançadas muitas décadas antes.

Porém, em 2017 isso mudou com A Bela e a Fera. Remake do clássico animado de 1991, mais recente do que as inspirações para muitos outros live-action, de modo que o público tinha uma maior nostalgia do que por filmes das décadas de 50 e 60.

A Bela e a Fera foi um dos maiores sucessos do período compreendido como a Renascença da Disney, que foi de A Pequena Sereia em 1989 até Tarzan em 1999.

Por serem muito mais recentes, era maior a chance de tais filmes serem lembrados com maior nostalgia pelos jovens de hoje, que então poderiam levar seus próprios filhos ao cinema. Como resultado, o romance musical com Emma Watson arrecadou US$ 1,26 bilhão na bilheteria global.

Outros sucessos pós A Bela e a Fera

Uma vez que A Bela e a Fera abriu as portas da era da Renascença para os remakes, duas coisas ocorreram. A primeira é que os remakes foram alçados a um patamar de bilheteria quase inédito, vide o US$ 1.05 bilhão de Aladdin e os absurdos US$ 1.66 bilhão de O Rei Leão. É claro que o remake de maior bilheteria seria o que se baseou no maior sucesso em animação tradicional da Disney.

Mas a outra é que remakes de animações de antes da década de 1990 acabaram sofrendo em comparação. Como você viu acima, em 2019 Dumbo fracassou e foi totalmente ofuscado pelos novos Aladdin e Rei Leão. Agora Branca de Neve abre com números similares aos do longa sobre o elefante que voava – apesar de ter custado muito mais.

O trio A Bela e a Fera/Aladdin/Rei Leão tinham a vantagem da nostalgia por seus originais animados ser muito maior do que Alice, Malévola, Cinderela ou Mogli.

Mesmo A Pequena Sereia não conseguiu chegar nem perto da bilheteria de A Bela e a Fera ou O Rei Leão. Lançado em 2023, o musical arrecadou razoáveis US$ 298 milhões nos EUA (sexta maior bilheteria do ano por lá). Porém apenas US$ 271 milhões fora de lá, num total de US$ 569 milhões global. Uma bilheteria não muito boa considerando seu monstruoso orçamento (prejudicado por filmar durante a pandemia) de US$ 250 milhões.

E agora?

A Disney se encontra numa encruzilhada: como continuar com seus remakes agora que seus sucessos mais nostálgicos dos anos 1990 já foram adaptados. Se forem continuar olhando para antes da Renascença, bem, Branca de Neve acaba de mostrar uma nova versão de clássicos mais antigos não vai gerar a mesma comoção de um A Bela e a Fera.

Uma vez que o longa de 2017 chegou às telas, reimaginações de filmes de antes de 1990 tornaram-se quase obsoletos. Por mais que a Disney tentasse modernizá-los.

Uma aposta seria abrir as portas das animações dos anos 2010. Um remake de Frozen poderia alcançar bilheteria no nível do Rei Leão de 2019, ou talvez até mais. Moana em live-action chega em 2026, depois restaria Enrolados e… o que mais? Um Zootopia em live-action com humanos interpretando animais antroporfomizados via captura de movimentos?

Vale lembrar que 2017 não foi apenas o ano de A Bela e a Fera, mas sim das últimas animações “originais” (no caso, não ligadas a propriedades intelectuais de bilhões de dólares) a faturarem sequer US$ 500 milhões global.

Desde então, a Disney e a indústria de filmes familiares como um todo focou apenas em nostalgia ou em marcas mundialmente famosas, e esqueceu-se do futuro. Em breve ele irá cobrar seu preço.

Quanto tempo até a Disney encomendar remakes dos filmes da Pixar? Será que um remake de Toy Story está perto de virar realidade?

Deixe aí nos comentários o que você acha!

Fonte: The Numbers

Leia também
1 comentário
  • A Disney deveria parar de focar em live action e começar a pensar em ideias novas. Perguntar o que Walt Disney faria e parar de focar na militância.

Deixe seu comentário