Crítica: Toy Story 5 prova sua necessidade com drama e muito coração

Toy Story 5, a nova continuação da Disney/Pixar, chega hoje aos cinemas. Confira nossa crítica sem spoilers!

Toy Story 5 é mais um capítulo da franquia da Pixar que chega sob muita desconfiança por parte dos fãs, que questionam se precisamos mesmo de mais uma aventura dos brinquedos após uma boa conclusão. Embora o quarto filme – lançado em 2019 – também divida os fãs, é impossível dizer que o seu desfecho não é honesto.

Encerramos a história do Andy em Toy Story 3 e meio que encerramos a história do Woody no quarto filme. Então trazer todo mundo de volta e puxar mais uma extensão, naturalmente, vai soar como algo desnecessário. Mas eis que temos o assunto que seria um grande desperdício se não fosse abordado na franquia: a chegada da tecnologia e como as crianças de hoje vivem uma realidade absolutamente distante do que tínhamos em 1995.

E o maior acerto de Toy Story 5 está no fato de que eles fazem um ótimo uso do tema. Mesmo que levemente atrasado (uma vez que a tecnologia e os tablets já fossem uma realidade em 2019), o roteiro consegue explorar as consequências da tecnologia de um jeito honesto e que não soe datado ou o terror da perspectiva de alguém com a mente nos anos 90.

É bastante comum que franquias de mais de 30 anos não consigam acompanhar temas atuais, mas essa está longe de ser a sensação deixada aqui. Em tempos de doom scrolling e brainrot, acho que não há nenhuma peça mais propícia do que Toy Story para servir de lição para as novas crianças e também para as velhas crianças que assistem desde a trilogia original.

Toy Story 5 traz Jessie no comando

Felizmente, eles acertam no discurso de conto preventivo sem demonizar a tecnologia 100% e também nem se prendem a esse tema. Uma vez que o verdadeiro coração da história está na JESSIE!

Isso já era prometido nos trailers, sinopses e divulgações, mas surpreende o quanto o filme é assumidamente centrado na vaqueira e definitivamente deixando Buzz e Woody como coadjuvantes mais do que especiais.

Em termos gerais, o filme demora a engrenar e te passar o atestado de qualidade da franquia, mas todo a parte dramática da JESSIE é o suficiente para te carregar até um momento em que você pode confirmar: ELES FIZERAM DE NOVO! ELES FIZERAM UM BOM TOY STORY!

A segunda metade do filme compensa até mesmo o início decepcionante do arco do Buzz, que começa numa repetição sem muita delicadeza que afeta até o seu propósito. E parte da recuperação vem quando ele volta a compartilhar suas cenas com o Woody.

Não tenha medo: a Pixar acertou novamente com a franquia

Inimigos a melhores amigos e coadjuvantes dessa história, é sempre um prazer ver esses dois. Só disso funcionar organicamente já seria um acerto para o filme todo.

Outra grande surpresa fica por conta da Lilypad, que chega com todo o potencial para ser uma das antagonistas mais “detestáveis” da franquia. As expectativas estavam lá em cima, já que a franquia tem uma galeria de vilões de altíssimo patamar.

A Pixar SABE construir todos tipos de antagonistas. Mas o interessante é que eles não seguem o caminho óbvio com essa personagem. Apesar da sua chegada frenética, a personagem rapidamente vira mais parte do núcleo dramático do que uma simples oposição.

Muitos podem achar isso decepcionante ou achar que é um demérito à personagem, mas isso é justamente um dos elementos que provam o quanto eles contam essa história com coração.

Talvez seja o Toy Story mais fraco em termos de ação e ritmo, mas só AQUELA cena de resolução da Jessie – que é o ponto mais dramático do filme – já vale por tudo.

Um alô ao passado e abraço ao presente e ao futuro que espanta a dúvida sobre a necessidade desse novo capítulo.

Novamente… HÁ MUITO CORAÇÃO! O suficiente para que nenhum fã saia dos cinemas com a mínima dúvida sobre a necessidade desse quinto capítulo.

NOTA: 4/5

De fã para fã. Jornalista, redator e criador de conteúdo, já teve a fita verde do Toy Story.
Leia também
Sair da versão mobile